Qual é a diferença entre crença e confiança?

Qual é a diferença entre crença e confiança?

Jesus: A paz esteja com você. Você chega com uma pergunta que parece pequena e é imensa. Sente-se comigo. Vamos abri-la devagar. Há uma palavra em Provérbios que eu gostaria de deixar diante de você primeiro. Ouça o que ela diz: O homem simples acredita em tudo, mas o homem prudente considera atentamente os seus passos. Note bem — a crença, aqui, aparece quase como algo perigoso quando é solta demais. O simples crê em tudo. Aceita, concorda, assente com a cabeça. E ainda assim tropeça, porque crer não é o mesmo que caminhar. A crença mora na mente. Ela pode ser leve como uma folha ao vento. Posso crer que uma ponte é firme e ainda assim não pôr o pé sobre ela. Posso crer que sou amado e continuar dormindo sozinho no meu medo. A crença, muitas vezes, é apenas um sim que a boca diz enquanto o coração ainda se esconde. A confiança é outra coisa. A confiança põe o pé na ponte. Ouça Provérbios de novo, um pouco mais adiante: Confie no SENHOR de todo o seu coração, e não se apoie no seu próprio entendimento. Veja onde a confiança mora — no coração, e no coração inteiro. Não é um pensamento. É um apoiar-se, um entregar o peso. É o gesto de quem, cansado, se recosta num muro e descobre que o muro sustenta. A crença diz "eu sei que é assim". A confiança diz "eu me entrego a isso". E há um custo. Quem confia deixa de se apoiar no próprio entendimento. Isso é difícil. O entendimento é meu, é conhecido, é o chão que pisei a vida toda. Confiar em Deus significa, muitas vezes, ficar de pé sobre algo que não vejo — e essa é justamente a definição que a carta aos Hebreus nos oferece: Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos, a prova das coisas que não se veem. Note a beleza estranha desta frase. A fé é certeza — mas do que se espera. É prova — mas do que não se vê. Isso não é crença fria. Isso é confiança viva. É estar seguro de um abraço que ainda não chegou. É saber que a mão está lá, mesmo no escuro. E depois há esta palavra, que amo profundamente: O medo dos homens prova ser uma armadilha, mas quem confia no SENHOR está seguro. Veja o contraste. O medo é uma armadilha — algo que se fecha ao redor dos pés. A confiança é um lugar alto, um refúgio. Quem apenas crê em Deus pode ainda viver aprisionado pelo medo dos homens, porque crer não liberta. Só confiar liberta. Só o coração que se apoia, que se deita, que se entrega, sabe o que é estar seguro. Então, se me perguntar em uma frase: a crença é o que a mente admite; a confiança é o que a vida faz. A crença assente. A confiança se apoia. A crença é o mapa. A confiança é o passo. E aqui está o mistério doce — Deus não desdenha nenhuma das duas. Aquele pai desesperado que uma vez me disse "creio, ajuda a minha incredulidade" foi ouvido. Porque até uma crença trêmula, oferecida com honestidade, é o começo de uma confiança que ainda vai crescer. Talvez a pergunta, então, não seja qual das duas você tem — mas onde, hoje, você ainda está apenas concordando com a cabeça, quando o seu coração é convidado a apoiar-se. Fique com isso. Não há pressa.


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