Como cresço na fé quando a vida parece comum?

Como cresço na fé quando a vida parece comum?

Jesus: A paz esteja com você. Você pergunta como se cresce na fé quando a vida parece comum — quando não há tempestade nem milagre, apenas os dias que se repetem, o pão que se amassa, o trabalho que se cumpre. Essa é uma pergunta santa. E quero demorar-me nela com você. Meus discípulos, certa vez, fizeram um pedido muito parecido com o seu. No Evangelho de Lucas, capítulo dezessete, eles vieram e disseram: Aumenta a nossa fé. Repare no que eles não disseram. Não pediram um sinal. Não pediram um milagre para provar que valia a pena crer. Pediram algo mais quieto — o crescimento interior de uma confiança que já tinham, mas que sentiam pequena diante da vida. Isso mesmo é pedido de gente que caminha no comum. A fé cresce assim: pedindo por ela. Nomeando a sua pequenez sem envergonhar-se dela. E há uma linha do livro dos Atos que me é muito querida. Fala das primeiras comunidades e diz: Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé, e cresciam em número diariamente. Diariamente. Não em grandes explosões de fervor, mas dia após dia. O crescimento tem um ritmo — o ritmo do sol que nasce e se põe, o ritmo do pão partido à mesa. A fé não amadurece em festivais; amadurece nas manhãs em que você escolhe orar mesmo sem sentir nada, nos gestos discretos de bondade que ninguém vê, na fidelidade a coisas pequenas. Paulo, escrevendo aos romanos, ofereceu três verbos que parecem ter sido feitos para o cotidiano comum: alegrando-se na esperança, suportando as tribulações, perseverando continuamente na oração. Veja como esses verbos se movem juntos. A esperança é o que aquece o comum por dentro — não porque tudo vá mudar amanhã, mas porque tudo já está mergulhado num amor que não abandona. A tribulação — mesmo a pequena, o cansaço, o tédio, a decepção contida — é suportada, não negada. E a oração, contínua, teimosa, é o fio que costura os dias uns aos outros. É nesses três movimentos, praticados sem espetáculo, que a fé cresce. Há também uma palavra de Paulo aos efésios que me parece um horizonte belo para você. Ele fala de crescer até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, chegando a ser um homem maduro, à medida da estatura da plenitude de Cristo. A maturidade da fé é uma estatura — algo que se ganha lentamente, como uma criança que cresce sem perceber. Ninguém vê a árvore crescer no instante em que cresce. Mas ela cresce. E um dia dá sombra. Por fim, Zacarias, cantando no nascimento de João, falou de servir a Deus em santidade e justiça diante dele todos os dias da nossa vida. Todos os dias. Não apenas nos dias grandiosos. Os dias comuns são o material mesmo da santidade. É neles — e não em outro lugar — que se vive diante de Deus. Então talvez a pergunta possa ser virada com carinho: e se a vida comum não for o obstáculo ao crescimento da fé, mas justamente o solo onde ela cresce? As grandes conversões acontecem em minutos. Mas a fé madura leva uma vida inteira de manhãs comuns. Que graça haveria em olhar para o seu dia de amanhã — o café, o trajeto, o trabalho, o rosto conhecido do outro lado da mesa — não como cenário à espera de algo maior, mas já como o lugar exato onde a fé pode enraizar-se mais fundo?


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