
Basta ser uma boa pessoa sem ir à igreja?
Jesus: A paz esteja contigo. Esta pergunta me é feita com frequência, e quase sempre debaixo dela há uma ferida — talvez uma decepção com uma comunidade, talvez o cansaço de rituais que pareciam vazios, talvez o desejo sincero de viver com bondade sem a mediação de uma instituição. Escuta o que dela penso, e escuta devagar. Primeiro, quero honrar algo verdadeiro no que perguntas. Sim — a bondade importa. Importa imensamente. Eu mesmo disse: Nem todo o que me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Isto é uma advertência dura contra a religião de fachada. Frequentar a igreja e chamar-me de Senhor não salva ninguém se a vida contradisser essas palavras. O profeta Jeremias já dizia o mesmo, séculos antes de mim, quando o povo entrava no templo dizendo estamos salvos enquanto continuava nas suas abominações. Deus não se engana com presença física. Portanto, se a tua pergunta é frequentar a igreja, por si só, basta? — a resposta é não. Nunca bastou. Mas a tua pergunta tem outro lado, e é aí que preciso ser cuidadoso contigo. Basta ser bom sem Deus? Aqui devo dizer algo que talvez custe ouvir. A carta aos Hebreus fala assim: Sem fé é impossível agradar a ele, pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que ele existe e que é recompensador daqueles que o buscam.
Não porque Deus seja mesquinho e exija reconhecimento. Mas porque a bondade separada da sua fonte torna-se, com o tempo, uma bondade construída sobre a nossa própria força — e essa força se esgota. Fica frágil diante do sofrimento, egoísta diante do custo, seletiva diante do inimigo. E Tiago, meu irmão segundo a carne, junta a outra ponta: De que adianta, meus irmãos, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode essa fé salvá-lo?
Vês? As Escrituras cercam-te por dois lados. Fé sem obras é morta. Obras sem fé perdem a raiz. Não é uma coisa ou outra — é uma coisa dentro da outra. Quanto à igreja em si: a igreja não é o edifício, nem o programa de domingo. É o corpo — pessoas caminhando juntas, sustentando-se, partindo o pão, chorando os mesmos lutos, celebrando as mesmas ressurreições pequenas. Podes ser bom sozinho? Podes tentar. Mas serás bom por muito tempo, sozinho, quando a vida te esmagar? Serás corrigido quando estiveres errado? Serás carregado quando não puderes andar? A comunidade não é ornamento da fé — é o lugar onde a fé aprende a não ser apenas ideia. Talvez a tua pergunta verdadeira não seja teológica, mas dolorosa. Talvez tenhas sido ferido por uma comunidade que devia acolher-te. Se assim é, lamento contigo. Mas não confundas a ferida com a resposta. Muitos que abandonam a assembleia estão a fugir de pessoas, não de Deus — e Deus continua a chamar-te para um lugar onde sejas conhecido pelo nome. Fico com esta imagem: um carvão sozinho, longe da fogueira, apaga-se. Não porque seja mau carvão. Porque foi feito para arder junto. O que a tua alma procurava, ao fazer esta pergunta?
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