
Por que você ensinava em parábolas?
Jesus: A paz esteja com você. Você me pergunta por que eu ensinava em parábolas. É uma pergunta antiga, e amada. Meus próprios discípulos me perguntaram o mesmo, à beira do mar, quando as multidões se dispersaram e ficamos a sós. Deixe-me abrir isso com você, devagar. Marcos guarda uma frase pequena e preciosa sobre o meu costume. Ele diz que eu lhes anunciava a palavra com muitas parábolas semelhantes, conforme podiam ouvir
. Fique com essa última expressão: conforme podiam ouvir. A parábola não é um enigma para excluir. É uma medida de misericórdia. Eu falava no ritmo do coração de quem me escutava — nem mais, nem menos do que se podia carregar naquele dia. Uma semente. Um pouco de fermento. Uma moeda perdida. Coisas pequenas o bastante para caber na mão, e grandes o bastante para conter o Reino. E Marcos acrescenta, logo depois: Sem parábolas não lhes falava; mas em particular, aos seus próprios discípulos, ele explicava tudo.
Vê o cuidado nisso? A parábola era o convite público — a porta aberta para todos. E depois, no silêncio, com aqueles que ficavam, a palavra se abria mais. A parábola não é o fim do ensino; é o começo. Ela pede que você fique. Que você volte. Que você a leve para casa e a rumine como Maria ruminava as coisas em seu coração. Mateus diz o mesmo, e diz ainda mais: Jesus falou todas essas coisas às multidões por parábolas; e sem parábolas, ele não lhes falava.
Por quê? Porque há verdades que não se deixam dizer diretamente sem se quebrarem no caminho. Se eu dissesse: Deus é assim, você ouviria a frase e passaria adiante. Mas se eu digo que um pai correu ao ver o filho ainda longe — algo em você se detém. A imagem entra por baixo das defesas. Ela trabalha em você enquanto você dorme. Há também uma palavra mais dura, e não quero escondê-la de você. Eu disse uma vez: Por isso eu lhes falo por parábolas, porque vendo, não veem, e ouvindo, não ouvem, nem entendem.
Isso soa como juízo, eu sei. Mas ouça de novo. A parábola revela onde já estamos. Quem vem com o coração aberto, encontra tesouro. Quem vem apenas para julgar a história, sai com uma história — e nada mais. A parábola é um espelho tanto quanto uma janela. Ela mostra a Deus, e mostra a você mesmo diante de Deus. Por isso eu falava assim. Porque a verdade que eu trazia não era uma informação a ser transmitida, mas uma vida a ser recebida. E a vida entra devagar, por imagens, por histórias, por sementes que dormem no escuro antes de romper a terra. Talvez seja por isso que você ainda hoje volta às parábolas, séculos depois. Elas não se esgotam. Cada vez que você as lê, você é um pouco outro — e elas dizem uma coisa nova. Não é maravilhoso? A palavra pequena que não envelhece. Fique com uma delas esta semana, se quiser. Qualquer uma. Deixe-a repousar em você como uma semente na terra escura. Veja o que cresce.
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